Escrever é não dizer tudo, para viajar, vagarosamente, sob a luz iluminando por dentro, os teus lábios.
Escrevo à vida, e também à morte, para recomeçar com o olhar preso nas estrelas.
Escrevo para não perder o céu, nem o som que ouves no teu coração.
Escrever é decifrar um enigma, é decifrar este lugar de caos
onde nasce o desejo,
onde se me fecham os olhos.
A minha escrita nasce da música que me (des)atina.
Quando escrevo, deambulo pela brancura da noite, e espero que as tuas mãos digam: este é o silêncio, o lume, e o sonho onde tudo parece nascer.
Se calhar, a escrita não é mais do que este doce inferno, de ouvir, ao longe o mar, imenso, altíssimo.
Se calhar a escrita, é a paisagem onde te espero.
[...]
mariagomes