quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013



Acendem-se, em mim, os olhos,
a promessa solar deste alimento,
mel ou mar ou quimera,
memória inacabada que, docemente,
rasga a madrugada.


Acendem-se, em mim, as rosas,
a geografia das rosas,
que guardam o coração, o pão
e a água,
e os sonhos que migraram.



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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013




dói-me esta ausência, este país de ecos marítimos e de silêncio,
esta sobrevivência legítima, e acocorada, ante um sol tão livre.


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sábado, 16 de fevereiro de 2013



O mar não é maior do que as tuas mãos, meu amor, 
tecendo o espaço que amanhece, ardente, nas baionetas do tempo.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013



Eu quero um corpo onde cesse a fadiga e a sede,
a subversão do olhar.
Quero um corpo aceso, um barco, uma canção (tanto faz!)
que dispare rente ao inenarrável nascer do sol;
que busque o percurso do mar, que cheire a mar,
chegue em silêncio, deseje e se deite por dentro
e anoiteça, tranquilamente...

Eu quero um corpo que seja a cópia de um pássaro,
um pássaro poisado sobre os ramos da esperança, apátrida,
belo, peregrino na liberdade de amar.


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domingo, 10 de fevereiro de 2013



Colhe a luz que cai do coração das estrelas.
Numa dor insolúvel,
entre a noite, há o esplendor de uma acácia na visão da morte,
no sangue que a habita.

É aí que desaguam as fontes, o relevo dos rios; 
É aí que vivem os Estios, os mares sem destino.


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repousarei,  para sempre, nas falésias da iluminada humanidade das aves.


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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

 
 
 
 
A madrugada anda perdida como um pássaro,
canta como canta a morte que veio embargar meus dias;
é com esta tristeza que eu possuo
ainda
o brilho, o mar, o bálsamo,
a sua flama pura.

A madrugada anda perdida como um pássaro, pai,
canta como canta a vida!

22 janeiro 2013
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