domingo, 14 de abril de 2013


Diz-me que as palavras que nos ferem como facas
filhas de reis
servis
escribas de outra pátria
pertencem a um tempo de desordem
a um tempo de quem vive com uma flor
sem primavera
apartada do coração deste lugar
apartada do ritmo
e do mar.

Uma flor é uma flor
e o amor existe onde meus olhos jazem.

Diz-me que o meu sangue escorre pela flama da paisagem.


_____________mariagomes

segunda-feira, 8 de abril de 2013



É no mar que as aves louvam a primavera
com seu canto de púrpura,
flor que me cega,
luzindo pelos dias,
tão profunda.


_______mariagomes

quinta-feira, 4 de abril de 2013


No horizonte que meus braços cingem,
o tempo corre, violentamente, como uma última ave
contra o sol, cativa.


______________mariagomes

segunda-feira, 1 de abril de 2013



O meu poema nasce do grito do azul do mar cortado pelo frio.
O meu poema é uma flor cavada em seus campos altos,
um lírio,
uma rosa que vem lá do fundo
como um fruto vivo.
Areal sagrado
de salgadas águas
o meu poema vive.


____________mariagomes

terça-feira, 26 de março de 2013



Então os pássaros cantam a solidão esplendorosa do limbo,
a eufonia da imagem;
têm, em cada dia, mais modos de dizer,
os pássaros idealizam o espaço, regressam devagar.


__________mariagomes

Chove tanto nesta primavera, neste mar que envolve
esta lava dos prados, saudosa,
este sudário, este farol.


___________mariagomes

segunda-feira, 18 de março de 2013



Amados olhos que vedes as manhãs ancoradas
no coração do vento,
alumiai a linguagem das fontes,
o ouro das aves,
meus horizontes indefesos.


___________mariagomes