quarta-feira, 24 de setembro de 2014



Há uma palavra que espelha a solidão das árvores
É uma palavra que não cala os clarins
Nomeia o sexo possui a chuva e o deserto
Não é a palavra mãe não é a palavra céu
Nem a palavra vaga nem a palavra vento
É indizível e cega
A palavra
Que me ilumina
E cai no esquecimento.


_______________mariagomes

sábado, 6 de setembro de 2014


A tua ausência é uma estrela embriagante que sorri
O meu vagar o meu saber a minha sombra
Ainda que testemunhe o sonho
Dou-te o poder deste deserto que entra por mim
Que me ensina a caminhar que me lembra um céu
Bebo amiúde do regaço dos rios
Da pouca luz que me chega à boca
Por vezes imagino que escrevo
Por vezes germinam flores
Ergo para ti um jardim
E grito
E o meu grito tomba arrefecido sobre borboletas brancas.


____________mariagomes

segunda-feira, 25 de agosto de 2014


Que a minha sepultura seja uma flor lapidar
cabendo nela a recusa...
Que ali pernoite o amor
e os olhos da inclinação do vazio, e as aves,
e uma espada, uma espada que cruze o mar.


______________mariagomes

domingo, 10 de agosto de 2014



É sobre as águas que nasce a minha tristeza...
Sobre as águas descubro pérolas desato o afecto
Abro janelas
Trago para dentro a noite da leveza iluminada dos nenúfares
E a minha voz desce aos olhos.


___________mariagomes

sexta-feira, 18 de julho de 2014



É preciso partir sob a claridade da música
ter um nome
ligar o amor às aves
a uma visão singular intensa e leve
chegar ao instante de um coral em chamas.

É preciso que expluda a neve.


___________mariagomes

domingo, 6 de julho de 2014



A noite acordou em mim a profundidade de tudo
o silêncio
os pequenos astros
as lágrimas
das palavras cíclicas
das palavras ditas e reditas
das palavras que habitam a flor não aberta à flor...

Na minha mão que escreve pelo equilíbrio dos desfiladeiros
a noite desenhou-te na nitidez dos espelhos.
À roda do fogo e da água
a noite regressa a noite acaba
a noite começa num amplexo prisioneiro.


______________mariagomes