quarta-feira, 30 de setembro de 2015


E estou eu, de novo, fitando este céu de ilhas, estrelas, medos e navios brandos...
e choro, e o meu choro é sangue.


_____________margomes

quarta-feira, 15 de outubro de 2014


Porque incendiei as ilhas, porque traí o silêncio,
porque amarrei as mãos ao clarear da revolta
era o amor que morria, era o amor que nascia...


_________mariagomes

segunda-feira, 13 de outubro de 2014



O sol não chega à manhã recém feita.
Não se purifica a luz entre meus lábios,
nem se distingue o espanto da noite...
tão pouco é o amor, o teu riso,
e a eternidade.


___________mariagomes

sábado, 11 de outubro de 2014



Não quero mais do que uma réstia de sol
tenho a promessa das acácias
nas manhãs pagãs
a memória dos teus olhos
infindos
a tua mão clara cor do trigo.


______________mariagomes

quinta-feira, 9 de outubro de 2014


É noite
é sempre noite...
Obscuro
o amor resvala.
Vem até mim.
Não deixes que esta tristeza me invada.
Traz a memória da água
o doce travo do sal
a baía vencendo a luz
os barcos nunca idos
a infância vestida de pássaros
na sede que tive

É noite
é sempre noite...

_____________mariagomes

quarta-feira, 24 de setembro de 2014



Há uma palavra que espelha a solidão das árvores
É uma palavra que não cala os clarins
Nomeia o sexo possui a chuva e o deserto
Não é a palavra mãe não é a palavra céu
Nem a palavra vaga nem a palavra vento
É indizível e cega
A palavra
Que me ilumina
E cai no esquecimento.


_______________mariagomes

sábado, 6 de setembro de 2014


A tua ausência é uma estrela embriagante que sorri
O meu vagar o meu saber a minha sombra
Ainda que testemunhe o sonho
Dou-te o poder deste deserto que entra por mim
Que me ensina a caminhar que me lembra um céu
Bebo amiúde do regaço dos rios
Da pouca luz que me chega à boca
Por vezes imagino que escrevo
Por vezes germinam flores
Ergo para ti um jardim
E grito
E o meu grito tomba arrefecido sobre borboletas brancas.


____________mariagomes