terça-feira, 20 de setembro de 2016


Escrever é não dizer tudo, para viajar, vagarosamente, sob a luz iluminando por dentro, os teus lábios.


Escrevo à vida, e  também à morte, para recomeçar com o olhar preso nas estrelas.
Escrevo para não perder o céu, nem o som que ouves no teu coração.


Escrever é decifrar um enigma, é decifrar este lugar de caos
onde nasce o desejo,
 onde se me fecham os olhos.


A minha escrita nasce da música que me  (des)atina.



Quando escrevo, deambulo pela brancura da noite, e espero que as tuas mãos digam: este é o silêncio, o lume, e o sonho onde tudo parece nascer.


Se calhar, a escrita não é mais do que este doce inferno, de ouvir, ao longe o mar, imenso, altíssimo.
Se calhar a escrita, é a paisagem onde te espero.

[...]


mariagomes

sábado, 17 de setembro de 2016



Está quase a romper o dia. A sinfonia das aves é tamanha, que não duvido que é esta cantata que chama o sol. As aves existem para que se faça a luz. Devemos às aves o princípio de tudo, são elas que separam a luz das trevas.



mariagomes

terça-feira, 13 de setembro de 2016


Tenho na pele o poder da noite
uma estrela antiga.

Tenho na pele um espinho, uma flor,
uma maneira de te amar inventando a vida.


mariagomes

terça-feira, 12 de julho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Se escrevo muitas vezes a palavra ave é porque a palavra terra tem um coração puro,
e a palavra céu é um punho erguido à liberdade.


mariagomes

terça-feira, 7 de junho de 2016


Mamã,
Já não conto estrelas no desvão do mar.
Os meus olhos flutuam como manhãs de inverno.
Os meus olhos brilham, cegos.
E as aves levam-nos para longe,
para além da península de outras águas
onde os jardins e o lume dão flor.


mariagomes